OPINIÃO

A combinação entre trabalho, disciplina e talento sempre gera bons resultados. Prova disso são alguns dos indicadores reunidos em relatório publicado no início deste mês pela Universidade de Brasília. O documento com números do quadriênio 2012-2015 traz 36 índices que apontam para saltos qualitativos de avaliações acadêmicas e para mais equilíbrio em questões financeiras e administrativas. As estatísticas animadoras são fruto da dedicação de uma comunidade determinada a fazer da UnB uma instituição viável, que cada vez mais dê retornos substanciais à sociedade.

A inédita nota máxima do Índice Geral de Cursos (IGC/Inep/MEC), a elevação do número de cursos com cinco estrelas no Guia do Estudante da Editora Abril e a inserção no Top 10 da América Latina, com a subida de 15 posições em ranking da consultoria britânica Quacquarelli Symonds, são alguns dos resultados que mostram que a UnB optou por trilhar o caminho da excelência. Parte desses resultados inverte curvas de declínio e aponta para um futuro mais promissor.

Os dados também indicam que a Universidade está mais inclusiva. O pioneirismo em ações afirmativas fez aumentar sensivelmente o número de estudantes originários de escolas públicas e de negros na academia. A partir deste ano, pelo menos metade dos calouros terá cursado o Ensino Médio em instituições públicas. Vale lembrar que essa mudança foi apoiada por importantes medidas de assistência estudantil. O número de alunos assistidos por programas institucionais subiu de 2,6 mil, em 2012, para 4,8 mil no ano passado.

O número geral de matrículas é outro que apresentou crescimento no período analisado. Em 2015, a UnB passou a ter mais de 37 mil alunos de graduação e mais de 9 mil de pós-graduação. A expansão do mestrado e do doutorado contribuiu para o crescimento de 24% das publicações científicas em revistas internacionais no triênio 2013-2015 em relação ao anterior, segundo dados da Capes. A agência de fomento aponta, ainda, para o aumento da média dos conceitos dos programas de pós-graduação da universidade da capital.

Nenhum desses indicadores favoráveis encobre o fato de que ainda há muito por fazer. A Universidade precisa diminuir a evasão, talvez o seu maior desafio acadêmico. Tem de ampliar a receita para investir em infraestrutura e equipamentos, garantindo melhores condições para o desenvolvimento do ensino e da pesquisa. Precisa aproveitar melhor sua posição geográfica estratégica para se internacionalizar mais. Além disso, como já vem fazendo por meio de campanhas e ações, deve combater diariamente qualquer tipo de intolerância e discriminação. A pluralidade e a diversidade são patrimônios intangíveis que necessitam ser protegidos com vigor. Reconhecer as fragilidades é o primeiro ponto para traçar e efetivar estratégias para combatê-las.

ADMINISTRAÇÃO PRESENTE – O relatório reúne resultados significativos do ponto de vista administrativo. Em 2012, a atual gestão assumiu com o objetivo de arrumar a casa para propiciar os avanços necessários na área acadêmica. E isso foi feito. A racionalização de contratos propiciou serviços mais eficientes na Universidade. O Restaurante Universitário - agora presente em todos os campi -, por exemplo, tem funcionado sem interrupções há três anos. O número de refeições servidas no ano passado chegou a 1,5 milhão, três vezes o número de 2012.

As mudanças atingiram praticamente a totalidade dos serviços coordenados pela Prefeitura dos Campi. Os atendimentos a ordens de serviço, embora ainda não consigam contemplar todas as demandas, têm sido realizados com mais celeridade. O cuidado com o uso dos recursos é nítido. As despesas com telefonia caíram de 4,6 milhões para 1 milhão entre 2012 e 2015. O combate a desperdícios propiciou economia de mais de 25% em água e esgoto. Já as contas de energia aumentaram em função da expansão da Universidade e do reajuste de tarifas. Para diminuir esses gastos, a administração tem tomado medidas que incluem a instalação de lâmpadas de led, a manutenção das instalações elétricas internas e o projeto de instalação de painéis solares.

Outro ponto fundamental destacado nesses últimos quatro anos é a regularização da força de trabalho. A Universidade colocou ponto final a um histórico de precarização, que consumia recursos de investimento e a deixava em situação de ilegalidade. Centenas de servidores técnico-administrativos foram selecionados por meio de concurso público. E a UnB também tem melhorado a qualificação de seus quadros. Mais de 1,4 mil técnicos conquistaram incentivos após concluírem cursos. Entre os professores efetivos, 90% possuem doutorado.

Um dos grandes feitos da atual gestão, entretanto, não aparece no relatório. Trata-se da superação da escassez de recursos nos últimos anos, que teve seu momento mais duro em 2015, quando o contingenciamento de repasses federais paralisava universidades em todo o país. Com planejamento e esforço, a UnB pagou suas contas e não ficou um dia sequer sem aulas.

Todos esses resultados recentes contrariam o cenário de crise na educação brasileira. E, com a “casa arrumada”, é possível almejar mais. Pela qualidade e determinação de seus estudantes, professores e técnicos, a Universidade de Brasília pode vislumbrar ser a melhor da América Latina.

 

 

Ivan Marques de Toledo Camargo
Reitor da Universidade de Brasília

 

Artigo publicado originalmente no jornal Correio Braziliense de 21 de julho de 2016.

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